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Tocantins

Estado mais jovem do Brasil, o Tocantins tem o Bico do Papagaio, onde rios caudalosos e florestas fechadas revelam o encontro entre Amazônia e Cerrado.

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Confira também

AC
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Acre

Extremo oeste do Brasil, o Acre é o último lugar do país a se despedir do Sol. Sua Serra do Divisor é um dos lugares mais biodiversos do planeta.

AP
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Amapá

Na capital Macapá, você fica com um pé em cada hemisfério. Na fronteira com a Guiana Francesa, Oiapoque ilustra a grandeza brasileira, dando vida à expressão “do Oiapoque ao Chuí”.

AM
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Amazonas

Maior estado do Brasil, abriga o Pico da Neblina, o mais alto do país. É lá também o Encontro das Águas, onde o rios Negro e Solimões fluem lado a lado.

MA
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Maranhão

No oeste do Maranhão, a Amazônia surpreende em pleno Nordeste. Sua Reserva do Gurupi protege florestas profundas e rios sinuosos.

MT
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Mato Grosso

Sabia que o Mato Grosso também é Amazônia? No Parque Estadual do Cristalino, rios claros serpenteiam sob a copa das árvores.

PA
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Pará

Maior produtor de açaí do mundo, o Pará abriga Belém, cidade amazônica pulsante. Além da Ilha de Marajó, onde búfalos cruzam praias de rio na foz do Amazonas.

RO
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Rondônia

Em Rondônia, geoglifos milenares desenham a terra no meio da Amazonia. No Rio Madeira, o céu explode em cores sobre uma das águas mais imponentes da Amazônia.

RR
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Roraima

O Monte Roraima fica na fronteira entre Brasil, Venezuela e Guiana. No topo de suas paredes verticais, a paisagem é simplesmente surreal.

Parque Estadual do Cantão: o encontro entre a Amazônia e outros dois biomas

O Parque Estadual do Cantão, no Tocantins, é o ponto onde o Cerrado, o Pantanal e a Amazônia se entrelaçam. O parque abriga a maior floresta inundável da bacia do Araguaia (quase 100 mil hectares de igapós contínuos), o que confere a ele uma identidade visual e ecológica marcadamente amazônica, apesar de estar cravado no coração do Cerrado. 

Nesta planície do Médio Araguaia, o regime das águas desenha uma paisagem de centenas de lagos e florestas de igapó que permanecem inundadas por meses. É um santuário de biodiversidade, onde as árvores semimergulhadas e o solo úmido contam a história da regeneração da vida a cada ciclo de cheia do Rio Araguaia. 

A experiência central acontece no município de Caseara, porta de entrada para o parque. Ali, o visitante embarca em canoas que deslizam silenciosamente pelo Lago Grande, observando o comportamento de espécies como o jacaré-açu e o boto-do-araguaia. A caminhada pelas trilhas interpretativas, guiada por conhecedores da região, revela a complexidade do ecossistema e os esforços de monitoramento da fauna local. É um tempo de escuta e observação, onde o olhar se volta para a natureza e a importância da conservação de um deste corredor ecológico, um dos mais vitais do país.

Ilha do Bananal e a terra dos povos Iny

A Ilha do Bananal, no Tocantins, é a maior ilha fluvial do mundo, abraçada pelos rios Araguaia e Javaés. Esse território de transição é onde a força da Amazônia encontra a resiliência do Cerrado, criando varjões que se inundam e renascem a cada ciclo. A paisagem é desenhada por matas de igapó e ipucas – porções de floresta que guardam a água e a vida em seu interior. 

A experiência central ocorre no contato com os povos Iny (Karajá e Javaé). O cotidiano compartilhado em aldeias como Santa Isabel do Morro revela a confecção das bonecas Ritxòkò, patrimônio cultural que narra a cosmologia indígena em cerâmica. O visitante participa de oficinas de pintura corporal com jenipapo e navega em canoas tradicionais pelos canais do Rio Javaés, observando o boto e a tartaruga-da-amazônia. 

Trilhas guiadas por especialistas indígenas pelas ipucas ensinam sobre o uso medicinal das plantas e a conexão ancestral com esse chão. Estar no Bananal é reconhecer que a floresta não é cenário, mas o lar de memórias vivas. Ali, o equilíbrio do bioma depende do respeito à cultura de seus guardiões, um aprendizado que o visitante leva no coração.

Quebradeiras de Coco Babaçu: autonomia feminina na floresta

A experiência ocorre em comunidades como Sumaúma, em Sítio Novo, ou em municípios como Araguatins. O visitante é convidado a vivenciar a lida ancestral das mulheres que protegem os babaçuais. A imersão começa com a caminhada pela mata para a coleta do coco, seguida pela prática da quebra rítmica, onde se aprende a transformar o fruto em azeite, farinha de mesocarpo e sabão. O saber-fazer dessas mulheres, reconhecido como patrimônio imaterial, é o fio condutor de uma conversa sobre resistência e autonomia feminina na floresta. 

A gastronomia regional é um destaque à parte, com a Rota Sabores do Bico, que valoriza ingredientes amazônicos em pratos como o peixe na palha de babaçu ou o bolo de mesocarpo. No artesanato, a arte ganha vida através da palha e do talo da palmeira, transformados em biojoias e cestarias que carregam a identidade visual do território. É um turismo de base comunitária que prioriza o encontro humano e a valorização da vida rural. 

Visitar o Bico do Papagaio é entender que a Amazônia tocantinense é feita de palmeiras, mãos calejadas e sabores intensos. Ao final, o contato com o "Azeite da Mãe" (como é chamado o óleo de babaçu) revela que a riqueza da floresta está na preservação dos modos de vida tradicionais. Um conhecimento para o visitante jamais esquecer.