
Acre
Extremo oeste do Brasil, o Acre é o último lugar do país a se despedir do Sol. Sua Serra do Divisor é um dos lugares mais biodiversos do planeta.

Estado mais jovem do Brasil, o Tocantins tem o Bico do Papagaio, onde rios caudalosos e florestas fechadas revelam o encontro entre Amazônia e Cerrado.
O Parque Estadual do Cantão, no Tocantins, é o ponto onde o Cerrado, o Pantanal e a Amazônia se entrelaçam. O parque abriga a maior floresta inundável da bacia do Araguaia (quase 100 mil hectares de igapós contínuos), o que confere a ele uma identidade visual e ecológica marcadamente amazônica, apesar de estar cravado no coração do Cerrado.
Nesta planície do Médio Araguaia, o regime das águas desenha uma paisagem de centenas de lagos e florestas de igapó que permanecem inundadas por meses. É um santuário de biodiversidade, onde as árvores semimergulhadas e o solo úmido contam a história da regeneração da vida a cada ciclo de cheia do Rio Araguaia.
A experiência central acontece no município de Caseara, porta de entrada para o parque. Ali, o visitante embarca em canoas que deslizam silenciosamente pelo Lago Grande, observando o comportamento de espécies como o jacaré-açu e o boto-do-araguaia. A caminhada pelas trilhas interpretativas, guiada por conhecedores da região, revela a complexidade do ecossistema e os esforços de monitoramento da fauna local. É um tempo de escuta e observação, onde o olhar se volta para a natureza e a importância da conservação de um deste corredor ecológico, um dos mais vitais do país.
A Ilha do Bananal, no Tocantins, é a maior ilha fluvial do mundo, abraçada pelos rios Araguaia e Javaés. Esse território de transição é onde a força da Amazônia encontra a resiliência do Cerrado, criando varjões que se inundam e renascem a cada ciclo. A paisagem é desenhada por matas de igapó e ipucas – porções de floresta que guardam a água e a vida em seu interior.
A experiência central ocorre no contato com os povos Iny (Karajá e Javaé). O cotidiano compartilhado em aldeias como Santa Isabel do Morro revela a confecção das bonecas Ritxòkò, patrimônio cultural que narra a cosmologia indígena em cerâmica. O visitante participa de oficinas de pintura corporal com jenipapo e navega em canoas tradicionais pelos canais do Rio Javaés, observando o boto e a tartaruga-da-amazônia.
Trilhas guiadas por especialistas indígenas pelas ipucas ensinam sobre o uso medicinal das plantas e a conexão ancestral com esse chão. Estar no Bananal é reconhecer que a floresta não é cenário, mas o lar de memórias vivas. Ali, o equilíbrio do bioma depende do respeito à cultura de seus guardiões, um aprendizado que o visitante leva no coração.
A experiência ocorre em comunidades como Sumaúma, em Sítio Novo, ou em municípios como Araguatins. O visitante é convidado a vivenciar a lida ancestral das mulheres que protegem os babaçuais. A imersão começa com a caminhada pela mata para a coleta do coco, seguida pela prática da quebra rítmica, onde se aprende a transformar o fruto em azeite, farinha de mesocarpo e sabão. O saber-fazer dessas mulheres, reconhecido como patrimônio imaterial, é o fio condutor de uma conversa sobre resistência e autonomia feminina na floresta.
A gastronomia regional é um destaque à parte, com a Rota Sabores do Bico, que valoriza ingredientes amazônicos em pratos como o peixe na palha de babaçu ou o bolo de mesocarpo. No artesanato, a arte ganha vida através da palha e do talo da palmeira, transformados em biojoias e cestarias que carregam a identidade visual do território. É um turismo de base comunitária que prioriza o encontro humano e a valorização da vida rural.
Visitar o Bico do Papagaio é entender que a Amazônia tocantinense é feita de palmeiras, mãos calejadas e sabores intensos. Ao final, o contato com o "Azeite da Mãe" (como é chamado o óleo de babaçu) revela que a riqueza da floresta está na preservação dos modos de vida tradicionais. Um conhecimento para o visitante jamais esquecer.