
Acre
Extremo oeste do Brasil, o Acre é o último lugar do país a se despedir do Sol. Sua Serra do Divisor é um dos lugares mais biodiversos do planeta.

O Monte Roraima fica na fronteira entre Brasil, Venezuela e Guiana. No topo de suas paredes verticais, a paisagem é simplesmente surreal.
A experiência de trekking ao Monte Roraima acontece na região de savanas e tepuis que conecta os territórios de Brasil, Venezuela e Guiana. Com cerca de 2.700 metros de altitude, a formação geológica de topo plano é conhecida por sua biodiversidade e pelas narrativas do povo Pemon, para quem a montanha está associada à figura de Makunaima.
Com dez dias de roteiro, começamos em Boa Vista. De lá, seguimos por estrada até a região de fronteira, passando por Santa Elena de Uairén e chegando à comunidade indígena Paraitepuy, ponto de partida da caminhada. As trilhas atravessam áreas de savana, rios e encostas rochosas até alcançar a base da montanha. Todo percurso deve ser feito com autorização das comunidades indígenas.
A subida ao topo ocorre pelo Paso de las Lágrimas, onde a água escorre pelas pedras formando pequenas quedas e igarapés. O terreno revela formações rochosas, campos úmidos, bromélias, orquídeas e áreas como o Vale dos Cristais. No topo, a vista das fronteiras dos três países é um espetáculo à parte. Na volta, as pausas para descanso e contemplação acompanham as mudanças de paisagem num ritmo próprio: você e a montanha vibram na mesma energia.

O Rio Branco é a principal artéria de Roraima, nascendo na Serra do Parima e cortando a capital Boa Vista com suas águas que variam do barrento ao azulado conforme o ciclo das chuvas. Fisicamente, ele define a borda leste da cidade, onde as praias de areia clara emergem no período da seca, revelando a planície amazônica de lavrado que caracteriza a região.
Suas margens são espaços de encontro histórico, onde a vida urbana dialoga com a força da correnteza que flui em direção ao Rio Negro. O visitante pode fazer um passeio pela Orla Taumanan e chegar até o Parque do Rio Branco. Ali, há uma parada para contemplação do Mirante Edileusa Lóz, que oferece uma visão panorâmica sobre as curvas do rio e a floresta.
A imersão cultural acontece no artesanato local e na gastronomia amazônica, como o consumo do peixe tambaqui em restaurantes que operam de frente para as águas. Passeios de embarcações tradicionais partem da orla, permitindo que as pessoas conheçam a história da ocupação de Boa Vista sob a perspectiva de quem vive e protege suas margens há gerações.
Roraima revela uma das maiores ilhas fluviais de terra firme do mundo, abraçada pela bifurcação do Rio Uraricoera, a Estação Ecológica de Maracá. Laboratório vivo onde a floresta tropical densa encontra áreas de lavrado, o ecossistema é feito de solos argilosos e clima equatorial. Esse território, administrado pelo ICMBio, é um marco da conservação amazônica, servindo como refúgio para espécies endêmicas e palco de pesquisas científicas globais que monitoram a saúde do bioma.
Experimente a educação ambiental e o ecoturismo científico em visitas monitoradas que revelam o cotidiano dos pesquisadores e das brigadas de proteção da floresta. O visitante percorre trilhas interpretativas, observando a movimentação de animais como o gavião-real e as onças-pintadas em seu habitat natural.
A navegação pelas águas do Uraricoera permite compreender a dinâmica dos rios de pedrais e a importância da manutenção dos corredores ecológicos para a soberania ambiental da Amazônia setentrional. É um convite à contemplação silenciosa e ao entendimento técnico da vida na mata.