
Acre
Extremo oeste do Brasil, o Acre é o último lugar do país a se despedir do Sol. Sua Serra do Divisor é um dos lugares mais biodiversos do planeta.
Em Rondônia, geoglifos milenares desenham a terra no meio da Amazonia. No Rio Madeira, o céu explode em cores sobre uma das águas mais imponentes da Amazônia.
Essa experiência inesquecível acontece na Terra Indígena Sete de Setembro, território do povo Paiter Suruí, localizado na região de Cacoal. A visita é organizada pela própria comunidade no Espaço Turístico Yabnaby, a primeira agência de etnoturismo criada e gerida pelo povo Paiter Suruí na Amazônia, onde visitantes são convidados a conhecer os modos de vida locais e as iniciativas de manejo sustentável desenvolvidas por eles.
Durante a estadia, os anfitriões apresentam aspectos do cotidiano das aldeias, incluindo práticas culturais, arquitetura tradicional, cantos, pinturas corporais e atividades comunitárias. Caminhadas pela floresta são conduzidas por guias indígenas, que compartilham conhecimentos sobre plantas medicinais e a conexão ancestral do povo com o território. Um momento para escutar os sons ao redor e ver de perto as texturas da mata.
O contato com a produção agrícola, como o cultivo de um delicioso café produzido em sistemas agroflorestais, nos ensina a preservar. Os visitantes acompanham todas as etapas da torra artesanal e conhecem iniciativas de reflorestamento e recuperação de áreas degradadas. Esse cotidiano compartilhado reforça a conexão com a comunidade e, nesse olhar mais íntimo, a vida dos protetores da floresta fica mais próxima de quem mora nas grandes cidades.

No fim da tarde, o Rio Madeira se exibe a toda cidade de Porto Velho. Um dos principais rios da bacia amazônica e maior afluente do Amazonas, o Madeira atravessa a história da cidade marcada às suas margens desde a construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré. A vida urbana, ribeirinha e fluvial segue rodeada pelas águas largas e barrentas que conectam a cidade às comunidades e territórios dessa parte da Amazônia.
O visitante pode experimentar uma verdadeira travessia na história a partir dos passeios de barco realizados no final da tarde. As embarcações partem do Complexo da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré e percorrem um trecho do rio enquanto guias compartilham sobre a formação de Porto Velho e a relação da cidade com o rio. O percurso dura cerca de uma hora e inclui música regional e apresentações culturais a bordo.
À medida que o sol se aproxima da linha da floresta, a água ganha tons dourados e o vento do rio atravessa o convés. As pessoas da cidade seguem no curso de suas vidas cotidianas à beira do rio enquanto os visitantes se maravilham com espetáculo amazônico que presenciam pela primeira vez.
O Vale do Rio Guaporé, na fronteira entre o Brasil e a Bolívia, caracteriza-se por extensas planícies aluviais e florestas de várzea em Rondônia. O rio, de águas claras e curso sinuoso, define o ritmo de vida das comunidades que habitam suas margens e gerenciam os recursos naturais da região de forma sustentável. E é com esses comunitários que o visitante pode experimentar a Amazônia de Rondônia.
A experiência acontece em alguns dias no Quilombo Pedras Negras e em Santo Antônio do Guaporé. Ali, os visitantes conhecem de perto o manejo do pirarucu e a proteção das praias de desova de quelônios, iniciativas que garantem a conservação do bioma. A vivência inclui a navegação pelos furos do rio e o reconhecimento da fauna local, sempre guiados pelos moradores que compartilham o conhecimento técnico e ancestral.
A visita estende-se ao Real Forte Príncipe da Beira, maior edificação militar portuguesa do período colonial no Brasil. O cotidiano compartilhado com os quilombolas e ribeirinhos revela a importância da organização comunitária para a manutenção da floresta em pé. O Vale do Guaporé é ao mesmo tempo lugar de soberania alimentar e preservação cultural.