
Acre
Extremo oeste do Brasil, o Acre é o último lugar do país a se despedir do Sol. Sua Serra do Divisor é um dos lugares mais biodiversos do planeta.
Maior produtor de açaí do mundo, o Pará abriga Belém, cidade amazônica pulsante. Além da Ilha de Marajó, onde búfalos cruzam praias de rio na foz do Amazonas.
A cerca de 20 minutos de barco da vibrante cidade de Belém, existe um lugar onde o chocolate começa muito antes da primeira mordida. Na Ilha do Combu, frutos da floresta, saberes ancestrais e tradição oral se encontram em uma experiência que revela a Amazônia pelos sentidos.
A travessia parte pela manhã e, em poucos minutos, o movimento da cidade dá lugar aos sons sensíveis da mata. No Combu, a visita segue até a propriedade agroflorestal de Dona Nena, uma ribeirinha que criou uma marca tão forte quanto ela, a Filha do Combu. Entre cacaueiros, castanheiras e outras árvores nativas, ela apresenta o caminho do cacau: do fruto recém-colhido à fermentação das amêndoas, até a transformação em chocolate artesanal feito ali mesmo, apenas com cacau e açúcar orgânico.
A experiência termina com uma degustação de chocolates, frutas e geleias. Mais do que provar sabores da floresta, o visitante descobre as histórias de quem ajuda a mantê-la de pé. Ao voltar para Belém, leva consigo algo difícil de explicar: a sensação de ter experimentado uma conexão que vem de dentro.

Existe um lugar na Amazônia em que o céu dourado e rosa beija o rio antes de encontrar a lua. Alter do Chão é uma terra onde o povo celebra sua cultura ancestral diariamente. Por terra ou pelo rio, vale conhecer todos os cantos dessa cidade de chão Borari.
Neste portal, está a Floresta Nacional do Tapajós, uma das últimas áreas de floresta primária intacta. Ali, na comunidade de Jamaraquá, as pessoas convivem em harmonia com a natureza, extraindo os óleos de andiroba e copaíba usados para massagens de cura, enquanto guiam o visitante pela floresta explicando sobre as espécies nativas. As praias do Muretá e do Pindobal são uma ótima parada para um banho refrescante.
Para os que desejam uma imersão ainda mais profunda, é possível dormir na Flona na casa dos comunitários ou na Trilha do Jamaraquá. No igarapé, um ser espiritual faz morada, um Encantado que protege as águas. No fim, Alter do Chão é mais que um passeio, é um destino inesquecível.

A cerâmica marajoara, originária da Ilha de Marajó, impressiona pela complexidade de seus grafismos geométricos, enquanto a tapajônica, desenvolvida pelos povos do rio Tapajós, se destaca pelas formas zoomorfas. Além da beleza, elas carregam significados que atravessam o tempo e nos mostram a visão dos povos originários sobre a vida.
No bairro Icoaraci, essa tradição está nas mãos de mestres oleiros. É com um deles que você vai moldar sua própria peça. A experiência começa às 11h na Olaria do Espanhol, com mestre Ciro Croelhas, herdeiro da olaria fundada em 1924 por seu pai. Em um passeio pela oficina, ele conta sobre o legado da família e revela cada etapa do processo de produção.
Depois, é hora de você colocar a mão na massa e moldar sua própria peça em torno tradicional, experimentando na prática a sensibilidade desse ofício. Na lojinha, a vontade será de levar cada peça. Saindo de lá, o passeio termina se deliciando na Orla de Icoaraci, com a vista e com os pratos típicos vendidos nas barracas.

Em Alter do Chão, às margens do amplo Rio Tapajós, o encontro entre comida e convivência faz parte do cotidiano das comunidades ribeirinhas. A piracaia é um jantar onde o peixe é assado lentamente sobre as brasas de uma fogueira à beira do rio. Uma refeição muito comum aos pescadores, que nasce dessa relação direta com o rio e com os ingredientes que chegam frescos à mesa.
A experiência começa no fim da tarde, quando comunitários e visitantes se reúnem à beira do Tapajós. A escolha do peixe fica à gosto do freguês, podendo ser tambaqui, pirarucu e tucunaré, as farinhas e os temperos locais complementam o prato tradicional.
Aos poucos, as brasas sobem pelo céu junto do aroma do peixe assando. O som das águas se mistura às conversas que surgem naturalmente ao redor. A partilha do alimento une todos sob as estrelas onde nós e a natureza nos tornamos um.
