
Acre
Extremo oeste do Brasil, o Acre é o último lugar do país a se despedir do Sol. Sua Serra do Divisor é um dos lugares mais biodiversos do planeta.

Sabia que o Mato Grosso também é Amazônia? No Parque Estadual do Cristalino, rios claros serpenteiam sob a copa das árvores.
No nordeste do estado de Mato Grosso, o Parque Indígena do Xingu foi criado em 1961, a primeira terra indígena demarcada no Brasil com grande extensão contínua, que protege territórios onde vivem diversos povos indígenas. A paisagem é marcada por rios como o Rio Xingu e por áreas de mata que acompanham os cursos d’água, formando ambientes importantes para a biodiversidade e para os modos de vida das comunidades.
Uma das experiências mais respeitosas de aproximação com essa região acontece por meio de visitas autorizadas e acompanhadas por organizações indígenas e projetos de intercâmbio cultural. Esses encontros costumam durar alguns dias e incluem conversas sobre o território, caminhadas pelo entorno das aldeias e momentos de partilha de alimentos, artesanato e histórias sobre a relação entre floresta, rio e vida comunitária.
Ao longo da estadia, o cotidiano segue o ritmo das atividades da aldeia, que respeitam a temporalidade da floresta. A mata é fonte de subsistência através dos alimentos e fonte de cura espiritual a partir dos seres invisíveis que ali habitam. Viajar pelo Xingu é compreender que por trás da paisagem, há um o cuidado de muitos povos ao longo do tempo.
No norte de Mato Grosso, entre os municípios de Alta Floresta e Novo Mundo, o Parque Estadual do Cristalino protege cerca de 184 mil hectares de floresta amazônica. Criado em 2001, o parque abriga diferentes formações vegetais, como floresta ombrófila, campinaranas e áreas influenciadas por rios. Mais de 600 espécies de aves já foram registradas na região, junto a mamíferos, répteis, anfíbios e milhares de espécies de plantas e borboletas.
Experimente ficar em estadias no entorno do parque, combinando trilhas guiadas na floresta, navegação pelo Rio Cristalino e observação de aves. Guias locais conduzem caminhadas por trilhas de terra firme e levam os visitantes a torres de observação construídas acima do dossel, de onde é possível acompanhar o nascer do sol sobre a floresta e observar o movimento das aves.
Entre caminhadas e trajetos de barco, o rio nos abre o percurso, a copa contínua das árvores altas nos oferecem abrigo e calor amazônico surge como que de dentro. Assim, Amazônia mato-grossense se revela nos detalhes que o visitante atento certamente irá sentir no próprio corpo por todos os sentidos.
A experiência de observação de aves acontece em São José do Rio Claro, na região conhecida como Jardim da Amazônia. Localizada às margens do Rio Claro, a área marca o encontro entre dois biomas brasileiros: o Cerrado e a Floresta Amazônica. Essa combinação cria condições favoráveis para uma grande diversidade de espécies, com mais de 570 aves registradas.
Na Trilha do Jatobá, um percurso guiado de cerca de três quilômetros pela floresta revela espécies de plantas com uso medicinal pelos comunitários. Ao longo da caminhada, é possível observar belas aves como o capitão-de-cinta, o coroa-de-fogo e o topetinho-do-Brasil-central. O percurso segue pela Trilha da Lagoa, mais curta, onde a vegetação do Cerrado e da Amazônia se encontram. Ali, ouvidos atentos são fundamentais para identificar espécies pelos cantos que ecoam na floresta.
No final da tarde, o Ninhal das Araras é a área perfeita para reprodução de psitacídeos. Chegamos até lá por canoa pelo Rio Claro, onde araras, papagaios e periquitos retornam às árvores ao entardecer, ocupando o céu em uma paisagem de arrepiar. O visitante leva consigo não só as lembranças, mas a certeza de que há lugares onde a energia nos move de um jeito diferente.
